
Quem percorreu os quilômetros de estrada até a Comunidade Lapetanha encontrou muito mais do que um dia de palestras. O Dia de Campo Paiter Suruí, realizado na Terra Indígena Sete de Setembro, reuniu produtores, técnicos, pesquisadores, instituições financeiras e lideranças do agro em um ambiente onde o conhecimento circulava de forma natural.
Foi nesse cenário que o RURALCAST, apresentado por Adalto Costa, recebeu Luiz Cláudio, um dos nomes mais conhecidos da extensão rural em Rondônia. Com décadas de atuação ao lado da agricultura familiar, ele aproveitou a entrevista para defender aquilo que considera indispensável para o desenvolvimento do campo: a união entre as instituições que atendem o produtor rural.
Logo ao chegar à comunidade indígena, Luiz Cláudio contou que ficou impressionado com a estrutura encontrada e com a participação dos produtores.
"É um dia muito especial. Encontramos produtores de várias regiões de Rondônia reunidos para trocar conhecimento e fortalecer o agro."
Ao longo da conversa, Luiz Cláudio lembrou que nenhuma instituição consegue atender sozinha a demanda existente no campo.
Segundo ele, o SENAR presta assistência técnica a cerca de cinco mil famílias por ano, enquanto a Emater acompanha aproximadamente vinte mil propriedades. Mesmo assim, ainda existe um número muito maior de agricultores familiares que precisam desse atendimento.
"Nós temos mais de cem mil propriedades da agricultura familiar. Ainda há muita gente sem assistência técnica."
Na avaliação dele, ampliar esse atendimento depende da atuação conjunta de órgãos públicos, cooperativas, instituições de pesquisa e entidades de capacitação.
Durante a entrevista, Luiz Cláudio afirmou que o produtor rural precisa de três pilares para crescer: assistência técnica, crédito acessível e infraestrutura.
Para ele, a orientação técnica é o primeiro passo para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos produtos.
"A assistência técnica ajuda o produtor a ter mais renda e a trabalhar com tecnologia. Ela faz toda a diferença."
Segundo ele, quando o agricultor recebe acompanhamento adequado, consegue produzir mais, reduzir perdas e agregar valor ao que vende.
Outro tema abordado foi a infraestrutura rural.
Luiz Cláudio chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por quem vive e produz em regiões mais afastadas, como as comunidades indígenas.
Ele destacou que boas estradas são tão importantes quanto crédito e assistência técnica.
"O produtor precisa de estrada para escoar sua produção."
Na visão dele, municípios, Governo do Estado e União precisam atuar de forma integrada para garantir melhores condições de transporte às comunidades rurais.
Além de produzir com qualidade, o agricultor também precisa vender melhor.
Segundo Luiz Cláudio, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades por negociarem individualmente.
Ele acredita que associações, cooperativas e grupos organizados aumentam o poder de negociação e facilitam o acesso ao mercado.
"O produtor unido consegue negociar melhor o seu produto."
Ele lembra que essa união também facilita o transporte, reduz custos e melhora a remuneração recebida pelo agricultor.
Durante a conversa, Luiz Cláudio destacou que Rondônia já produz cafés, cacaus, leite e frutas de alta qualidade.
O desafio agora é fazer com que esse diferencial seja reconhecido na hora da comercialização.
Segundo ele, produtos com maior qualidade sanitária e melhor processamento precisam receber preços compatíveis com esse esforço.
"Quem produz qualidade merece uma remuneração diferenciada."
Outro ponto abordado foi a preocupação com a concorrência de produtos importados.
Luiz Cláudio relembrou momentos em que o Brasil discutiu a importação de café e derivados do leite, situação que, segundo ele, poderia prejudicar diretamente os produtores brasileiros.
Na avaliação do entrevistado, é preciso proteger quem produz alimentos no país sem comprometer a competitividade do setor.
Ao falar sobre o Dia de Campo Paiter Suruí, Luiz Cláudio afirmou que encontros como esse cumprem um papel importante na construção do conhecimento.
Além das palestras e demonstrações técnicas, ele destacou o valor das conversas entre produtores, técnicos e instituições.
"É um momento extraordinário para trocar experiências e buscar soluções para quem vive da agricultura."
Segundo ele, a grande participação de produtores, mesmo em um dia útil e durante a colheita do café, demonstra o interesse crescente por inovação e qualificação.
Ao encerrar a entrevista ao RURALCAST, Luiz Cláudio elogiou o trabalho realizado durante o Dia de Campo e reforçou que iniciativas como essa aproximam instituições e produtores.
Para ele, quando Emater, SENAR, Embrapa, Sebrae, cooperativas de crédito e organizações do setor caminham na mesma direção, quem mais ganha é o agricultor.
"Todos precisam trabalhar a favor de quem produz alimento."
A conversa mostra que o desenvolvimento do agro não depende apenas de tecnologia. Crédito, infraestrutura, assistência técnica, organização e cooperação continuam sendo as bases para fortalecer a agricultura familiar e criar novas oportunidades para quem vive no campo. No RURALCAST, essa mensagem ganhou voz em um ambiente onde conhecimento e experiência se encontraram para discutir o futuro da produção rural em Rondônia.
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Rose Lopes – Jornalista – DRT 0002417/RO
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