
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cadeia Produtiva do Leite da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) reuniu-se na última quarta-feira (24), no plenarinho da Casa de Leis, para debater os problemas enfrentados pelos produtores rurais do estado.
A CPI é presidida pela deputada estadual Cláudia de Jesus (PT). Também participaram da reunião a deputada estadual Dra. Taíssa (Podemos) e, de forma remota, os deputados estaduais Delegado Camargo (Podemos) e Pedro Fernandes (PRD).
Durante a reunião, os parlamentares ouviram representantes do setor produtivo leiteiro. Entre eles, o presidente da Cooperativa Agropecuária e Laticínios de Rondônia, Josney Nicolau, que explicou como ocorre a negociação entre produtores e empresas.
“A negociação do preço é feita com o comprador e varia conforme a quantidade e a qualidade. O pagamento é realizado em até 60 dias. Só sabemos qual será o preço quando vamos receber. Trabalhamos no prejuízo. Não há contratos fixos, o que permite que os laticínios alterem o preço do leite a qualquer momento”, afirmou.
Riscos
Também participou da reunião, como convidado, o diretor-executivo da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron), Dhiony Costa e Silva. Ele respondeu aos questionamentos dos parlamentares sobre as oscilações no preço do leite e o atual cenário da produção leiteira em Rondônia.

“A Apron encaminhou um pedido para investigar os fatores que provocam a oscilação dos preços. Ouvimos relatos sobre isso, mas ainda não há documentação que comprove essas informações. Rondônia passa por um processo de modernização da cadeia produtiva do leite. Alguns produtores deixam a atividade, enquanto outros ingressam com investimentos em tecnologia. São investimentos elevados, mas o Estado não oferece a estrutura necessária. Se há um buraco na estrada ou falta energia, é o próprio produtor quem precisa resolver. Não há apoio. O produtor investe assumindo grandes riscos”, declarou.
Durante os trabalhos, os deputados também ouviram o produtor Edmar Ferreira, presidente da Associação dos Criadores de Girolando de Rondônia (ACGR). Ele criticou a forma como é definida a precificação do leite, mas defendeu a atuação do Conseleite-RO (Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite de Rondônia), responsável pela definição dos preços de referência do produto.
“Minha preocupação com esta CPI é que nos entrincheiremos na defesa dos produtores e passemos a responsabilizar apenas a indústria. O que falta é uma política de Estado. Precisamos pensar em planejamento. Quem define o preço do leite é a Câmara Técnica, e não o Conseleite. O Conselho apenas homologa o que é definido pela Câmara. A indústria participa do Conseleite com funcionários, enquanto o produtor não consegue estar presente porque precisa continuar trabalhando. Ainda assim, o valor de referência definido pelo Conseleite foi o que salvou o que restou da produção leiteira. Os estados que não possuem esse conselho praticamente não têm produção de leite”, afirmou.

Ao final da reunião, a presidente da CPI, deputada Cláudia de Jesus, informou que o colegiado voltará a se reunir nos dias 7, 8 e 9 de julho para realizar oitivas com representantes do governo de Rondônia.
Texto: Ivanilson Frazão I Secom ALE/RO
Fotos: Arquivo I Secom ALE/RO
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