
Ah, se a mesma brutalidade e força com que representantes das forças policiais (PF, Polícia Ambiental, Instituto Chico Mendes) tratassem os contrabandistas de ouro como tratam os pobres garimpeiros do rio Madeira! Ali, as operações destroem até pequenas balsas, colocando fogo em tudo e jogando bombas incendiárias. Enquanto isso, sorrateiros, muitas vezes aliados a caciques, os contrabandistas navegam por mares calmos, levando nossas riquezas. É assim com os diamantes da Reserva Roosevelt, é assim com ouro levado do rio Madeira por grandes grupos, sem qualquer reação das nossas autoridades. Afinal, é muito mais fácil enfrentar pobres trabalhadores que acabam perdendo tudo e não podendo sobreviver do seu trabalho, do que enfrentar o crime organizado!
Nesta semana, em Roraima, numa simples batida da Polícia Rodoviária, um rondoniense foi preso transportando nada menos do que 103 quilos de ouro, ouro puro, provavelmente levado daqui, de Rondônia. Foi um trabalho eficiente da PRF, mas absolutamente um golpe de sorte. Não fosse a fiscalização numa rodovia, todo este ouro seria levado a países vizinhos e até para outros continentes, onde faria fortuna de ricaços que, muitos deles que sequer sabem onde fica Rondônia e seu rio riquíssimo em ouro, mas do qual não temos direito de usufruir.
Enquanto se fazem discursos em nome da defesa ambiental, a riqueza que é nossa se esvai. Índios que vivem sentados em minas de diamantes, só têm direito a viver como no século XV, com a maioria em condições quase desumanas, porque os ambientalistas de ar condicionado os “defendem” à beira mar, em conversas regadas a uísque. Dessa vez, o ouro contrabandeado foi avaliado em 61 milhões de reais. É uma bagatela em relação a tudo o que nos tem sido roubado e passa incólume, por batidas policiais. Até porque o problema são os pequenos garimpeiros, “destruidores do rio”! Lamentável!
Por :Sergio Pires
Opinião de primeira
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