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Três gerações na mesma quadrilha: a história de uma família que cresceu dançando na Mocidade Junina
Avó, filhos e netos compartilham a paixão pela cultura junina e mantêm viva uma tradição construída dentro da quadrilha Em algumas famílias, as tr...
24/06/2026 15h10
Por: Rose Lopes Fonte: Prefeitura de Porto Velho - RO

Em algumas famílias, as tradições passam de geração para geração através de fotografias, receitas ou histórias contadas à mesa. Na família de Mery Moraes, a herança tem outro ritmo: o som da sanfona, os passos da quadrilha e a emoção de entrar na arena.

Mery Moraes deu os primeiros passos na Mocidade Junina atuando como brincante

Há quase duas décadas, ela começou sua trajetória na Mocidade Junina como brincante. Hoje, ocupa uma função na diretoria da quadrilha, mas continua acompanhando de perto cada ensaio, cada apresentação e, principalmente, a participação da própria família dentro do grupo.

"Eu comecei dançando e hoje estou na diretoria. O mais emocionante é ver meu filho e agora meus netos seguindo essa história dentro da quadrilha. É uma emoção muito grande mesmo".

Fundada na Zona Sul de Porto Velho, a Mocidade Junina construiu sua trajetória valorizando a cultura popular e fortalecendo os laços comunitários. Atualmente, os ensaios acontecem na Escola Capitão Cláudio, onde centenas de brincantes se reúnem para preparar mais uma temporada junina. Foi uma das 11 juninas que levaram sua apresentação ao público em 2025.

Entre eles está Uender Botelho, filho de Mery. Ele começou ainda criança, em 2006, e hoje interpreta um dos personagens mais conhecidos da quadrilha: Lampião. "Estamos nos preparando para mais uma apresentação. É uma satisfação muito grande olhar para trás e ver tudo que vivemos dentro da quadrilha. Hoje meus filhos também fazem parte dessa história e isso é gratificante para a vida toda".

Após iniciar sua participação na quadrilha ainda criança, em 2006, Uender Botelho passou a interpretar Lampião

Foi também dentro da Mocidade Junina que Uender encontrou muito mais do que uma paixão pela dança. Durante os ensaios e apresentações, ele conheceu Juliane Gama. Na época, ela havia chegado à quadrilha por incentivo de uma prima e logo se encantou pelo universo junino.

"Minha prima me trouxe para a quadrilha. Eu tinha vontade de dançar, mas minha avó não deixava. Quando fiquei mais velha, entrei para a Mocidade. Foi aqui que conheci o Uender. Eu era cangaceira e depois passei a ser Maria Bonita. Com o tempo a gente se aproximou, formou uma família e hoje estamos aqui juntos".

O que começou nos ensaios acabou se transformando em uma história de amor que atravessou os anos. Hoje, o casal tem três filhos, e os três seguem os passos dos pais dentro da própria quadrilha.

Uma delas é Samily Vitória, de 11 anos, dama de honra da Mocidade Junina. Para ela, dividir a arena com os pais e a avó é algo natural, mas também muito especial. "É muito legal. Eu me divirto muito dançando. Acho muito legal dançar com meu pai, minha mãe e minha avó. A gente fica junto e se diverte bastante".

A história da família mostra como a cultura junina ultrapassa gerações e se transforma em um elo capaz de unir avós, pais e filhos em torno da mesma paixão.

Para Samily Vitória, compartilhar a arena com os pais e a avó é uma experiência natural, mas carregada de significado e emoção

Agora, todos compartilham também a expectativa para o Arraial do Béra 2026, promovido pela Prefeitura de Porto Velho.

Questionada sobre o que espera da competição, Samily respondeu de forma simples e sincera: "Ganhar e se divertir."

O Arraiá do Bera acontece entre os dias 25 e 28 de junho, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O evento reunirá quadrilhas juninas, apresentações culturais e atrações musicais, além da competição que distribuirá R$ 45 mil em premiações. A quadrilha campeã receberá R$ 20 mil, o segundo lugar ficará com R$ 15 mil e o terceiro colocado receberá R$ 10 mil.

Para o prefeito Léo Moraes, histórias como a da família de Mery representam o verdadeiro significado da cultura popular."As quadrilhas juninas têm a capacidade de unir gerações e criar memórias que ficam para a vida inteira. Ver uma família inteira participando da mesma quadrilha mostra a força da nossa cultura e a importância de preservar essas tradições. É exatamente esse sentimento de pertencimento e união que queremos valorizar com o Arraiá do Bera".

Enquanto os ensaios continuam na Escola Capitão Cláudio, a família segue construindo novas lembranças. Uma história que começou com uma brincante em 2005, ganhou novos capítulos com um casal que se conheceu na quadrilha e agora continua através dos netos.

Uma tradição que não se aprende nos livros. Se aprende dançando, lado a lado, geração após geração. Vem aí, a Mocidade Junina, com o tema Fogo viva a luz da vida.

Texto:Jhon Silva
Fotos:Hellon Luiz

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)