Uma história de amor, luta diária e pequenas conquistas que transformam desafios em esperança
As manhãs começam entre terapias, deslocamentos, cuidados e adaptações. Quase não sobra tempo para ela mesma. Ainda assim, Luana enfrenta a rotina com a força de quem encontrou no amor pelo filho um motivo para resistir diariamente.
“De manhã eu levo ele para as terapias das oito ao meio-dia. E os desafios são esses: normalmente a gente não consegue atendimento sem precisar lutar pelos direitos da criança”, relata.
Mas, em meio ao cansaço, existem momentos que fazem tudo valer a pena. Pequenas conquistas que poderiam passar despercebidas por outras pessoas, mas que para ela carregam um significado imenso.
Isaque é não verbal, mas começou recentemente a pronunciar algumas palavras. Cada som novo, cada tentativa de comunicação, se transforma em uma celebração dentro de casa.
“Quando ele solta algumas palavrinhas, isso me deixa muito feliz. É uma emoção que não tem como explicar”, conta a mãe.
Luana afirma que a maternidade mudou completamente sua vida. E não apenas pela chegada do filho. Em 2021, ela também recebeu o próprio diagnóstico de autismo, iniciando um processo de descoberta, adaptação e aceitação.
“Acho que a palavra que define minha caminhada é resistência. Depois do meu diagnóstico eu vivi um luto comigo mesma. Mas com ele foi diferente. O importante era ele estar vivo comigo.”
Prematuro, Isaque começou as terapias ainda muito pequeno. Desde então, Luana passou a estudar sobre o transtorno para compreender melhor o filho e também a si mesma.
“Eu precisei buscar conhecimento. Não é só viver a prática. A gente precisa entender, estudar, conhecer para conseguir cuidar melhor.”
A rotina dentro de casa também exige equilíbrio emocional constante. Luana explica que, nos momentos de crise do filho, precisa controlar as próprias emoções para conseguir acolhê-lo da maneira que ele necessita.
“Ser mãe atípica é um turbilhão. Uma hora ele está bem, outra hora está em crise. E como eu também sou autista, se eu não estiver bem emocionalmente, eu entro em crise junto com ele.”
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destacou a importância de fortalecer políticas públicas voltadas às famílias atípicas do município.
“Cuidar das mães atípicas é também cuidar das famílias que enfrentam diariamente desafios silenciosos. Nosso compromisso é ampliar o acolhimento, garantir acesso aos serviços e oferecer mais dignidade para essas mães e crianças que precisam de apoio e atenção permanente”, afirmou o prefeito.
A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Família (Semias), Tércia Marília, ressaltou a necessidade de dar visibilidade à realidade vivida por essas mulheres.
“Muitas mães atípicas dedicam integralmente suas vidas aos filhos e, muitas vezes, acabam invisibilizadas pela sociedade. Nosso trabalho é fortalecer essa rede de apoio, acolher essas famílias e garantir que elas saibam que não estão sozinhas”, destacou.
Neste Dia das Mães, histórias como a de Luana representam milhares de mulheres que vivem uma maternidade intensa, muitas vezes invisível, mas cheia de coragem, afeto e entrega.
A Prefeitura de Porto Velho, por meio da rede de assistência e acolhimento social, também busca dar visibilidade a mães que vivem essa realidade diariamente, fortalecendo ações de apoio e reconhecimento para famílias atípicas do município.
Porque entre uma rotina que exige atenção constante e um amor que não conhece pausa, o que Luana carrega nos braços vai muito além da maternidade. É uma história inteira de entrega.
Texto:Jhon Silva
Edição:Secom
Fotos:José Carlos
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)