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Maternidade que resiste: a força silenciosa de uma mãe atípica em Porto Velho
Uma história de amor, luta diária e pequenas conquistas que transformam desafios em esperança.
10/05/2026 10h45
Por: Rose Lopes Fonte: Prefeitura de Porto Velho - RO

Uma história de amor, luta diária e pequenas conquistas que transformam desafios em esperança

A palavra que define minha caminhada é resistência”, disse Luana Oliveira, ao relatar sua rotina de amor e cuidado com o filho
“Eu só tô aqui hoje por ele.” É assim, com a voz firme e carregada de emoção, que Luana Oliveira resume a própria trajetória ao falar do filho, Isaque Oliveira, de 9 anos, diagnosticado com autismo. Mãe atípica e também autista, ela aprendeu a transformar os desafios da rotina em combustível para continuar seguindo em frente, mesmo nos dias mais difíceis.

As manhãs começam entre terapias, deslocamentos, cuidados e adaptações. Quase não sobra tempo para ela mesma. Ainda assim, Luana enfrenta a rotina com a força de quem encontrou no amor pelo filho um motivo para resistir diariamente.

“De manhã eu levo ele para as terapias das oito ao meio-dia. E os desafios são esses: normalmente a gente não consegue atendimento sem precisar lutar pelos direitos da criança”, relata.

Mas, em meio ao cansaço, existem momentos que fazem tudo valer a pena. Pequenas conquistas que poderiam passar despercebidas por outras pessoas, mas que para ela carregam um significado imenso.

Isaque é não verbal, mas começou recentemente a pronunciar algumas palavras. Cada som novo, cada tentativa de comunicação, se transforma em uma celebração dentro de casa.

“Quando ele solta algumas palavrinhas, isso me deixa muito feliz. É uma emoção que não tem como explicar”, conta a mãe.

Luana afirma que a maternidade mudou completamente sua vida. E não apenas pela chegada do filho. Em 2021, ela também recebeu o próprio diagnóstico de autismo, iniciando um processo de descoberta, adaptação e aceitação.

“Acho que a palavra que define minha caminhada é resistência. Depois do meu diagnóstico eu vivi um luto comigo mesma. Mas com ele foi diferente. O importante era ele estar vivo comigo.”

Prematuro, Isaque começou as terapias ainda muito pequeno. Desde então, Luana passou a estudar sobre o transtorno para compreender melhor o filho e também a si mesma.

“Eu precisei buscar conhecimento. Não é só viver a prática. A gente precisa entender, estudar, conhecer para conseguir cuidar melhor.”

A rotina dentro de casa também exige equilíbrio emocional constante. Luana explica que, nos momentos de crise do filho, precisa controlar as próprias emoções para conseguir acolhê-lo da maneira que ele necessita.

“Ser mãe atípica é um turbilhão. Uma hora ele está bem, outra hora está em crise. E como eu também sou autista, se eu não estiver bem emocionalmente, eu entro em crise junto com ele.”

Luana Oliveira acompanha o filho diariamente em terapias, transformando cada avanço em uma conquista de amor, cuidado e superação
Mesmo diante dos desafios silenciosos, ela segue encontrando forças no vínculo construído diariamente com o filho. Um amor que aparece nos detalhes mais simples: no acompanhamento às terapias, na atenção constante, no cuidado paciente e na disposição de nunca desistir.

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destacou a importância de fortalecer políticas públicas voltadas às famílias atípicas do município.

“Cuidar das mães atípicas é também cuidar das famílias que enfrentam diariamente desafios silenciosos. Nosso compromisso é ampliar o acolhimento, garantir acesso aos serviços e oferecer mais dignidade para essas mães e crianças que precisam de apoio e atenção permanente”, afirmou o prefeito.

A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Família (Semias), Tércia Marília, ressaltou a necessidade de dar visibilidade à realidade vivida por essas mulheres.

“Muitas mães atípicas dedicam integralmente suas vidas aos filhos e, muitas vezes, acabam invisibilizadas pela sociedade. Nosso trabalho é fortalecer essa rede de apoio, acolher essas famílias e garantir que elas saibam que não estão sozinhas”, destacou.

Neste Dia das Mães, histórias como a de Luana representam milhares de mulheres que vivem uma maternidade intensa, muitas vezes invisível, mas cheia de coragem, afeto e entrega.

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da rede de assistência e acolhimento social, também busca dar visibilidade a mães que vivem essa realidade diariamente, fortalecendo ações de apoio e reconhecimento para famílias atípicas do município.

Porque entre uma rotina que exige atenção constante e um amor que não conhece pausa, o que Luana carrega nos braços vai muito além da maternidade. É uma história inteira de entrega.

Texto:Jhon Silva
Edição:Secom
Fotos:José Carlos

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)